Abres o planning do próximo sprint. Antes de meter uma única coisa nova, já lá está trabalho do sprint passado que não acabou. Quanto? Se não sabes de cabeça, é provável que seja mais do que gostavas.

Carry over é a métrica que ninguém quer olhar de frente. Mede a percentagem do sprint que é trabalho arrastado, coisa que ficou por acabar e voltou. E é traiçoeira, porque um sprint com muito carry over pode parecer cheio e produtivo, quando na verdade metade já vinha de trás.

Um carry over pontual é normal. Uma tarefa que escorrega, um imprevisto de fim de sprint, acontece nas melhores equipas. A mediana desta equipa é 3 pontos, o que é saudável. O problema não é o número isolado, é a tendência.

Carry over baixo e estável é saúde. A cauda a subir é o aviso.

Repara na cauda deste gráfico. A equipa passa sprints com carry over quase zero, e de repente salta para 12 e depois para 20. Quando essa fatia cresce sprint após sprint, o recado é duro: estás a planear mais do que a equipa consegue absorver. O trabalho não desaparece, só muda de sprint e cria a ilusão de que se está sempre a começar coisas novas.

E há um detalhe que o Pulse mostra e o Jira não te dá de bandeja. O Jira sabe o que está por fazer, mas não te diz que percentagem de cada sprint é herança e quanto é novo, nem a tendência ao longo do tempo. Tens de o calcular à mão, sprint a sprint, e quase ninguém o faz.

Clica numa barra e vês o que estás a arrastar, de onde vem e quantos sprints já atravessou.

E o Pulse não te deixa ficar pela percentagem. Clicas numa barra e vês exatamente o que estás a arrastar: cada item, de que sprint veio, quantos sprints já atravessou, e o que fica por entregar e vai empurrar o seguinte, o tal carry over out. Deixa de ser um número e passa a ser uma lista com nome e origem, que dá para levar ao planning.

De que adianta encher o sprint se metade já vinha do anterior? De que adianta comprometer mais se nunca acabas o que começaste? De que adianta a velocity se ela conta trabalho velho como se fosse novo?

Business Agility não é começar muito. É acabar o que se começa, sprint após sprint, e não arrastar dívida de sprint em sprint. Arrastar trabalho não é falta de esforço, é excesso de compromisso.

Para o teu próximo planning fica a pergunta: quanto do sprint que estás a montar já vem, na verdade, do sprint passado?

Queres ver o teu carry over e a sua tendência, a partir dos teus dados do Jira? O Business Agility Pulse mostra isto num relance. Conhece em businessagilitypulse.com.